Salinger mordeu minha língua

13Jul07

Só admiti que gostava de Machado de Assis quando li Quincas Borba. Provavelmente vão me crucificar depois desse post, mas a verdade é: penei para ler Dom Casmurro. Até gostava de algumas partes de Memórias Póstumas, mas não tantas para dizer que gostei do livro. Digo que gosto de Quincas Borba porque é narrado em terceira pessoa.

A mesma coisa está acontecendo com o J.D. Salinger. Durante anos eu cuspi e xinguei O Apanhador no Campo de Centeio. A maioria das pessoas discorda de mim. Só uma pessoa resolveu me corrigir: “Não gosta porque a tradução é horrível. Experimenta esses dois aqui, mas em inglês” E me deu Nine Stories e Franny and Zooey.

E agora estou com esse problema sério. Além de ser uma pessoa muito orgulhosa, sou mais ainda quanto às minhas cismas literárias. Continuo irritada pelo estilo rasteiro do Salinger. Mas admito que é, vai, até que estou gostando. Só que ainda não o suficiente para gostar do Apanhador.

E aí vem minha dúvida: Apanhador no Campo de Centeio é escrito em primeira pessoa, assim como Dom Casmurro e Memórias Póstumas. Nine Stories, Franny and Zooey são em terceira pessoa.

Quer dizer então que meu problema não é com Machado e Sal’, mas sim com a primeira pessoa? (“A primeira pessoa”. Parece até filosófico)

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9 Responses to “Salinger mordeu minha língua”

  1. 1 Anna

    Guarda um segredo?

    Eu li O Apanhador… em inglês, com a mesma cisma que você – tem o mesmo gosto rançoso da tradução, pra mim pelo menos.

    Salinger never again!

  2. 2 Harry

    Também li o apanhador… não penei pra ler, mas não achei que fosse “ó meu Deus! Que livro fóda!” como dizem por aí…

    Na verdade achei bem nada de mais… talvez na época fosse fóda, mas hoje não é nada de mais.

    Eu prefiro a primeira pessoa… é difícil encontrar um narrador em terceira pessoa que ponha emoção nas palavras.

    Anna: não sei quem você é. mas agora também sei seu segredo ;]

  3. 3 Clara

    Eu até gosto de Salinger, mas não ligo para O Apanhador no Campo de Centeio; prefiro a família Glass.

  4. 4 maria bibas

    Eu amo e sempre amei Salinger e toda aquela atmosfera emocional de profunda angústia face a vida adulta e a necessidade de integração interna para uma separação e individuação sem a insuportabilidade dos abismos ou falhas…

    aquela angústia cinzenta e existencial, a infância que tem que ser transformada e a energia canalizada para a construção de uma individualidade mais autónoma e ainda em profunda mas tranquila dependência com as figuras que nos sustentam (parentais e não necessariamente os pais)

    como não reconhecer esta angústia depressiva e tristeza ligada ao luto e medo de crescer…de aprofundar de criar novo e conseguir manter um fio cada vez mais invizíel com o passado, o pequeno e o distante daquilo que aparentemente está mais organizado (pais, professores…)
    e os pais, quer da família glass, quer dos caufield são de uma inadequação tão ingénua e perversa ao mesmo tempo…
    li o Apanhador quando tinha 14 anos, há 20 anos atrás…
    se um livro fica em nós como uma memória já distorcida pela nossa construção, mas que sabemos no fundo que ainda tem muito a ver…
    nunca mais o reli inteiro…só partes, mas considero a escrita do salinger muito linda, muito urbana e com uma classe muito cinematográfica…
    amo e pronto
    os nine stories, franny & zooey também são demais…

    se calhar pela 1ª pessoa (sempr o leitor que constrói a história pela sua própria)

  5. Só li o apanhador, e sinceramente acho maravilho!
    Talvez seja pelo momento que li, era exatamente o que eu precisava. O Holden era como um parceiro pra mim.
    Nunca tentei realmente procurar por um dos outros livros. Mas ainda irei.
    E no dia que conseguir, lerei em ingles também.
    Sinceramente, acho o Salinger brilhante, os outros livros devem ser bons também.
    HAHA, também já falei mal de autores que até gosto atualmente.
    Dan Brown…. :X

  6. “Seymour: Uma introdução”

    É em primeira pessoa, discorrendo sobre uma terceira, e é muito bom. Pode ser uma tentativa… só pra tirar a prova real.

  7. 7 Geraldo Lima

    Salinger é o profeta da angústia juvenil de (quase) todos nós. Não importa que sua história tenha se passado em Manhattan. Não importa o lugar ou o tempo. Li O apanhador ainda jovem. Hoje na casa dos sessenta, Holden Caufield ainda me acompanha. Não sei se bem ou mal escrito, certamente escrito com cabeça, coração e vísceras.
    Grato por me fazer lembrar

  8. Estou lendo o Apanhador e ainda não posso opinar, mas não tenho problema com quem faz a voz da narrativa.

  9. 9 Samuel Alkmim

    Nossa, estou lendo o Apanhador…Excelente…adorei e vou procurar ler os outros. Com certeza deve ser muito bom…


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