Fernando Sabino e eu

30Apr08

Sei que estou lendo um livro ótimo quando começo a poupá-lo. Me permito ler no máximo duas páginas de cada vez. Um livro bom, leio sem parar. Mas um livro ótimo, ah, esse eu leio a conta-gotas.

O da vez é O encontro marcado, do Sabino. As pessoas que passam mais tempo comigo sabem da minha paixão recente e absurda por Hélio Pellegrino. Pois bem, Hélio foi amigo de infância de Sabino. Por tudo que pude ler dele e sobre ele, foi um homem genial. Desses que você gostaria de tomar um café que duraria uma semana. Só que o Hélio tinha um problema sério: era inconstante. Não à toa, me identifico com Hélio. Há apenas uma coletânea de poemas (organizada por Humberto Werneck) e uma de textos publicados em jornais. Esgotadas, as duas. Então só dá para ler o que ele escreveu em livros que falam sobre ele. Recomendo o da neta, Antônia Pellegrino: Lucidez embriagada.

Mas eu falava de Fernando. Pois bem, o Fernando, ao contrário do Hélio, era organizado, imagino que até metódico. Ele publicou várias das cartas que escreveu ao longo da vida para três de seus amigos mais marcantes: Hélio, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos.

E Fernando escreveu também O encontro marcado, uma autobiografia ficcional. E os personagens são versões também ficcionais desses amigos incríveis. No livro, Fernando é Eduardo. O ritmo é de pensamento, o que te faz pensar que você está pensando como Eduardo, como Fernando.

Fernando e eu, conversando no metrô, no ônibus, sentados no corredor da faculdade, deitados na cama, apoiados contra a parede.

Para quem está procurando uma boa leitura ou uma boa conversa, procure por Fernando.

Sentou-se num banco da Praça, buscou acalmar-se olhando os jardineiros que, indiferentes, aparavam a grama no jardim. Eles, sim, sabiam viver. Nenhuma pressa, nenhuma aflição: obedeciam ao ritmo que lhes era imposto, harmonizavam-se à ordem das coisas ao redor. Era como se ele, apenas ele, excedendo a si mesmo, num movimento brusco saltasse fora da engrenagem e, desgovernado, pudesse ver de longe o mundo pacífico e feliz de que não sabia participar.

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One Response to “Fernando Sabino e eu”

  1. 1 vinicius

    não se esqueça das cartas de clarice e fernando.
    eu comecei a ler fernando bem pequeno.
    uns 14 anos.
    o encontro marcado acho que foi o único que não li, apesar de tê-lo aqui em casa.
    hélio é mamãe que gosta. dei para ela de natal. mas não vi ainda.
    pq aqui em casa tinha um livro mais antigo dele: a burrice do demônio. que não li tb.
    sim, minha leitura fica a desejar, reconheço.


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