Para Seymour Glass

09Jun08

Eu li seus textos, eu sei como você usa as palavras. Quando você quer que alguém preste atenção em algum aspecto da sua personalidade ou na sua camisa, você diz que a pessoa é que repara nesse tipo de coisa, como se você não desse a mínima. E quando alguém repara em algo que você não esperava, você ri.

Você ri como eu rio. Porque nós dois achamos que podemos antecipar tudo, reações, diálogos, sentimentos. Você não pode. Nem eu.

Por isso, você adora que eu antecipe suas frases, suas respostas. Isso porque eu já li tudo que você escreveu nos últimos e ainda vai escrever nos próximos anos. Nós somos iguais e por isso ficamos tão distantes. Você sabe e eu sei que não teria graça se nos víssemos todos os dias, se tivéssemos conversas de cinco horas toda semana. Isso não tem graça para nós dois. Nós conversamos à distância, em silêncio.

Isso você não vai conseguir com qualquer outra pessoa. Eu posso até ser sua Franny, mas também sou sua Sybil. E no dia em que nos vermos, eu vou mesmo dizer “A perfect day for banana-fish”, mas não porque espero que você se mate. E sim por tudo que antecede esse momento do conto.

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