A coragem dos uruguaios, os últimos sul-americanos

03Jul10

Foi na repescagem que o Uruguai conseguiu a última vaga nas eliminatórias para a Copa na África. Até as quartas, muito se falou em uma Copa América – eram 4 seleções sul-americanas, 3 européias e 1 africana. Agora, nas semifinais, o Uruguai é justamente o único país o que restou.

Antes da Copa, minha mãe foi visitar meu irmão, que mora em Montevidéu. Pedi a eles que procurassem uma camisa celeste para mim. Não tanto por acreditar que dessa vez o Uruguai faria sua melhor campanha em 40 anos. Mais pela simpatia com o país que tem me encantado, pelas histórias que escuto do meu irmão.

Foi mais difícil do que esperávamos. Em um país com cerca de 3 milhões de habitantes, a capital tem apenas 3 shoppings. Os vendedores das lojas ficavam surpresos com aqueles brasileiros procurando uma celeste. Finalmente, na sexta loja apareceu a primeira camisa. Feminina? Nem pensar. Só havia uma única M. O jeito era levar aquela. “É para sua filha? Que honra! Uma brasileira querendo uma camisa nossa?” disse a vendedora à minha mãe.

Depois do jogo de ontem, muitos vão falar em raça e em garra para descrever a seleção uruguaia. Mas é preciso citar mais uma qualidade dessa equipe: a coragem.

Ontem, o Uruguai teve coragem de enfrentar um estádio inteiro que torcia para o último time africano restante na Copa. Foi corajoso o suficiente para buscar o empate, depois de passar o 1º tempo perdendo; teve bravura para enfrentar – ou melhor, se defender durante 30 minutos de prorrogação contra um time fisicamente superior. E no minuto final, não foi coragem que Luiz Suárez teve ao evitar que sua equipe tomasse um gol, mesmo custando sua expulsão e suspensão no próximo jogo? E quando não havia mais travessão e Suárez para ajudarem Muslera, foram a competência e a coragem do goleiro que o permitiram fazer duas defesas. E por fim, o que dizer da cavadinha de Loco Abreu ao cobrar o último e decisivo pênalti?

O Uruguai já tinha mostrado sua coragem na primeira fase, derrotando por 3 a 0 e praticamente eliminando a seleção anfitriã. Tomara que tenha essa mesma bravura na Cidade do Cabo, ao enfrentar a Holanda.

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One Response to “A coragem dos uruguaios, os últimos sul-americanos”

  1. 1 FP.

    Imagina só o dia que eu pisar em Belgrado e contar o quanto me interesso pela história daquela gente. Grande texto de uma seleção fenomenal que ficará sempre lembrada pelas qualidades que tu citou aí em cima.


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