Tem um homem pulando atrás de mim. Eu estava pegando o saquinho de adoçante para o café, e percebo esse vulto se mexendo atrás da minha cadeira. Ele não é só um homem, é um pai. Deu para descobrir quando me virei na cadeira para tentar entender por que diabos ele estava pulando, e foi quando vi o filho dele, no colo da mãe, que ria do jeito de pateta dele saltando.
Ele fingia que não alcançava um barbante preso a duas bexigas — uma era vermelha e a outra, azul:
“Me ajuda, filhão!” E a mãe entrega ele para os braços do pai. O homem levanta o filho, mas o menino não entende por quê. Ele não tem noção do que está acontecendo porque não viu o barbante: não olhou para cima, continua olhando para frente.
O pai fica abaixando e levantando o menino, e nada. A mãe olha para cima, eu olho para cima, todos em volta tentam direcionar o olhar do menino para o alto. Ele só precisa esticar um pouco o bracinho e já seria o suficiente para agarrar o barbante — o pé direito do teto ali é baixo, por isso até mesmo o pai teria conseguido pegar as bexigas.
Mas ele quis deixar o filho ter o gosto de recuperá-las. O menino é novinho, pouco mais do que 1 ano — essa talvez seja a primeira vez em sua curta vida que ele resgate alguma coisa. Ficamos eu, o pai e a mãe na expectativa de quando ele vai perceber que aquilo que ele tanto quer está a centímetros da cabecinha dele, bastava olhar para o lugar certo.
Finalmente, numa das vezes em que o pai o levanta, o barbante acaba raspando na cabeça dele, e ele agarra certeiro, com força, aquele barbante. E no rosto dele explode um riso, o primeiro de muitos que ele dará na vida ao conhecer a sensação de alguém que encontra, depois de 5 minutos ou 5 anos, o que tanto queria.


Na última quinta-feira, o Fluminense venceu o Atlético Mineiro, pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro. Enquanto o Galo estava — e ainda está — no G4 (para quem não é fanático por futebol, é o grupo dos 4 primeiros na tabela), o Fluminense ocupava — e ainda ocupa — o Z4 (o oposto do G4, o grupo dos 4 piores na tabela e com chances ao rebaixamento).

Só que, com a vitória da última quinta, o tricolor carioca completou seis jogos sem perder. O que não significa muita coisa em um campeonato de pontos corridos, onde um empate vale apenas 1 ponto para o time, e uma vitória, 3 pontos. Como dizem por aí, em campeonato de pontos corridos, empatar é andar de lado.

Minha mãe, Fluminense desde criancinha, tem um problema: não consegue entender a (simples) ciência de um campeonato de pontos corridos. Há dois meses tento explicar, mas para ela, o que importa é que o Flu não perde há seis jogos, e não que hoje o time está no último lugar da tabela, com 30 pontos (mesma pontuação que o Sport, mas com uma vitória a menos). Minha mãe nem sabe direito quem é o Fred ou que o Cruzeiro, adversário de hoje do Fluminense, tem a melhor campanha do returno do Brasileirão.

Para minha mãe, um jogo do Fluminense é sempre um texto do Nelson Rodrigues, uma música do Chico Buarque. Minha mãe e sua incapacidade de compreender o que significam pontos corridos são a prova de que ignorância é uma benção. Embora apareça em músicas (Ignorance is Bliss, do Ramones), filmes e na crença popular, o primeiro lugar onde li essa frase foi em 1984, do George Orwell, escrito em 1948. Não é exatamente a mesma, mas usa a mesma idéia: “ignorância é força”.

Mesmo quando começarem a aparecer matemáticos nas reportagens falando das chances de cada time, minha mãe não vai entendê-las. Mesmo se disserem que o Flu tem só 1% de chance de não cair para a segunda divisão, ela não vai compreender. Mesmo se afirmarem que já era, agora só em 2010, ela não vai acreditar. Até o fim do campeonato, minha mãe vai suspirar aliviada a cada empate e comemorar cada vitória do seu Fluminense.

Às vezes, é bom ser como ela. Não é bom incentivar sempre a completa negação, especialmente porque se o Flu realmente cair, ela vai ficar bem mais chateada do que ficaria se já estivesse se preparando. Mas às vezes é melhor optar pela ignorância, e continuar abençoada — ou forte, para George Orwell. Às vezes, a gente sabe que as chances daquilo que queremos que dê certo são mesmo mínimas, mas a nossa crença cega e pensamento positivo, podem sim, fazer diferença. É o que prefiro acreditar, ao menos.

Mãe, vou torcer pro Flu com você.


Roteiristas de Hollywood curtem glamorizar a profissão de obituarista. O caso mais bem sucedido foi de Jude Law em Closer, mas um filme chamado Serendipity também teve um bom exemplo. No clássico papel do melhor amigo que ajuda o mocinho a encontrar sua alma gêmea, Dean Kansky (papel de Jeremy Piven) escreve um obituário antecipado do protagonista, Jonathan (John Cusack). A idéia era convencer o amigo de que não ter encontrado seu grande amor naquele momento não era ruim, e o simples fato de ter lutado por ele já era uma vitória. Se ignorarmos os clichês, fica um bom texto. (Aviso: qualquer semelhança com a sua ou a minha vida é mera coincidência. Ou não)

Jonathan Trager, proeminente produtor da ESPN, morreu ontem à noite, por complicações ao perder sua alma gêmea e sua noiva. Ele tinha 35 anos. De fala suave e obsessivo, Trager nunca pareceu um romântico incurável. Mas nos últimos dias de sua vida, ele revelou um lado desconhecido de sua psique. Essa escondida persona quase junguiana surgiu durante sua busca agatha-christiana pela sua há muito desaparecida alma gêmea, uma mulher com a qual passara apenas algumas poucas e preciosas horas. Infelizmente, a longa busca terminou tarde da noite no último sábado, em completo e total fracasso. Entretanto, mesmo derrotado, o corajoso Trager secretamente agarrou-se à crença de que a vida não é meramente uma série de acidentes e coincidências sem significado… Não… Mas sim um tapete de acontecimentos que culminam num belo, sublime plano. Ao responder sobre a perda de seu querido amigo, Dean Kansky, ganhador do Pulitzer e editor executivo do The New York Times, descreveu Jonathan como um homem mudado em seus últimos dias de sua vida. “Tudo ficou mais claro pra ele”, observou Kansky. No final, Jonathan concluiu que para viver em harmonia com o universo, é preciso ter uma fé inabalável no que os antigos chamavam de “fatum”, aquilo que nós atualmente chamamos de destino.


Há alguns anos, formulei a teoria de que se você não gosta de Beatles, é porque não conhece a música certa. É como quando a gente descobre o prazer pela leitura: é questão de achar o livro certo. E quando se trata de uma banda que tem uma obra tão vasta, é impossível que você não se identifique com pelo menos uma delas. Acredite em mim, se você ainda não gosta de Beatles, é porque a música certa deles ainda não te encontrou.
Neste dia 9 de setembro (09.09.09), a discografia completa dos Beatles em versão remasterizada foi lançada mundialmente. E como não podia deixar de ser num blog com este nome, aí vai uma lista que tenta te convencer, em 9 tempos, que Beatles também podem ser para você.

1. I Saw Her Standing There
Desejo que você encontre uma paixão tão forte que alguém te afirme que, depois te conhecer, nunca mais irá dançar com nenhuma outra pessoa na vida.

2. Penny Lane
Desejo que você tenha alguém para caminhar do teu lado em um dia ensolarado, céu azul, sem rumo, por uma avenida larga, só pela graça de estar ao teu lado.

3. I Want To Hold Your Hand
Desejo que você tenha sempre por perto a mão que vai te dar segurança e conforto como nenhuma outra jamais conseguiu.

4. Oh! Darling
Desejo que você encontre um sentimento tão sincero que soe como Paul McCartney, pedindo para que você nunca o deixe.

5. Hard Days Night
Desejo que você tenha sempre alguém para voltar para casa, por mais exausto que esteja.

6. From Me To You
Desejo que você descubra que distâncias não existem quando se descobre um amor verdadeiro.

7. Golden Slumbers
Desejo que você tenha alguém tão doce que possa cantar no pé do teu ouvido, antes de você adormecer, uma das músicas (ou canções de ninar) mais graciosas já compostas.

8. Eight Days A Week
Desejo que você encontre uma pessoa tão fantástica que arranje tempo pra te amar oito dias por semana.

9. When I’m 64
Desejo que você encontre um amor tão puro, tenro e certo que alguém possa vislumbrar com você um futuro aconchegante, ao lado de uma lareira.


Honra

09Sep09

- Honorable men are all built the same.
- And do you think I am an honorable man?
- Do you know when to walk away? Do you know when not to take less than you deserve? If you do, then you are an honorable man.


You know if you break my heart I’ll go, but I’ll be back again
Cause I told you once before goodbye,
but I came back again.

-

Well, it’s alright, it’s alright
Who are you and me to say what’s wrong and what’s right
Do you still feel like me
We sit down here and we shall see
We can talk and find common ground
And we can just forget about feeling down
We can just forget about life in this town


Sim, junho foi uma droga. E, sim, julho foi pior ainda. Mas agosto será melhor. E pra ter certeza disso, vamos tirar esse post de julho do topo da página, né? Portanto:

TOP5 MÚSICAS PARA TOCAR UM F…

1. Stars – Your Ex-Lover Is Dead

When there’s nothing left to burn, you have to set yourself on fire

2. Radiohead – Weird Fishes/Arpeggi

Everybody leaves if they get the chance

3. Rolling Stones – You Can’t Always Get What You Want

But if you try sometime, you just might find you get what you need

4. Foo Fighters – DOA

Oh, you know I did it, it’s over and I feel fine, nothing you could say is gonna change my mind. Waited and I wait at the longest night, nothing like that taste of sweet decline

5. Nada Surf – Blankest Year

Oh, f… it! I’m gonna have a party

Menção honrosa: Beatles – I Am The Walrus

Goo goo g’joob g’goo goo g’joob

(Porque qualquer um que realmente consegue cantar goo goo g’joob sem vergonha nenhuma merece o diploma de “Tocador Oficial de F…”)


Cat+Power
Na falta da sua foto, vai a dela

Once I wanted to be the greatest
No wind of waterfall could stall me
And then came the rush of the flood,
stars of night turned deep to dust

Melt me down into big black armour
Leave no trace of grace, just in your honour
Lower me down, to culprit south
Make ‘em wash a space in town
For the lead and the dregs of my bed
I’ve been sleepin’
Lower me down, pin me in, secure the grounds
For the later parade

Once I wanted to be the greatest
Two fists of solid rock
With brains that could explain
Any feeling

Lower me down, pin me in, secure the grounds
For the lead and the dregs of my bed
I’ve been sleepin’
For the later parade

Once I wanted to be the greatest
No wind of waterfall could stall me
And then came the rush of the flood
Stars of night turned deep to dust


Counting all different ideas drifting away
Past and present, they don’t matter, now the future’s sorted out

Para quem só consegue pensar no agora e não consegue olhar a longo prazo, o quadro maior, o que realmente importa.
Para quem não tem paciência.
Para quem não entende que momentos ruins podem durar muito, mas um dia passam.
Para quem precisa aprender logo os ensinamentos de Phoenix, ou algum dia vai descobrir exatamente o que significa arrependimento.


Assim eu quereria meu último poema,
que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais,
que fosse ardente como um soluço sem lágrimas,
que tivesse a beleza das flores quase sem perfume.
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos.
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

Manuel Bandeira


Você disse?

29Jun09

Did you say it?
“I love you. I don’t ever want to live without you. You changed my life.”
Did you say it?
Make a plan. Set a goal. Work toward it, but every now and then, look around.
Drink it in. Because this is it.
It might all be gone tomorrow.


Domingo, 23h20

22Jun09

Todo amor é eterno. E, se acaba, não era amor

- Nelson Rodrigues